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Especialista aponta extrapolações no uso de estudos científicos em publicação sobre consumo de atum

há 2 dias
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Atualizado: há 7 horas



 

        Análise técnica do Prof. Dr. Humberto Gomes Hazin (DCA/UFERSA) avalia as referências usadas pela Sea Shepherd Brasil na publicação "5 razões para não comer atum".


        

        O vídeo usado e editado na publicação para mostrar a retirada de um parasito não é de um atum. É de um olho-de-boi (Seriola spp.), outra espécie, e no original está bem claro e explícito tratar-se de um peixe abatido no verão, desaconselhando o consumo neste período assim como que o parasita em questão não é prejudicial aos humanos. Este é o ponto mais visível de um problema maior, apontado na Análise Técnica do Prof. Humberto Hazin: Estudos reais usados para sustentar narrativas imprecisas.

 

        A Análise reúne pesquisas sobre contaminantes, parasitos, microplásticos, captura incidental, gestão pesqueira e bem estar animal e reconhece que esses temas são relevantes. Mas para espécies, regiões, períodos e pescarias específicas foram apresentados pela ONG como se valessem para todo atum e toda forma de pesca, em evidente extrapolação.

 

        Perigo não é risco. Encontrar mercúrio, cádmio ou um parasito são consequências naturais. Não mostra, sozinho, o risco à saúde. Para isso é preciso saber quanto se consome, com que frequência e quem consome.

 

        Um exemplo citado na publicação: um estudo feito em Campinas com 30 latas de atum de cinco marcas, compradas em 2015. Seis amostras passaram do limite de cádmio, e o próprio estudo aponta que só um consumo alto, de cerca de quatro latas por semana, poderia ultrapassar a ingestão tolerável de metilmercúrio. O resultado justifica monitoramento, mas não representa todo o mercado brasileiro.

 


        O mesmo vale para a pesca. Dados de captura incidental de uma frota em Palau, no Pacífico, não se transferem automaticamente para as pescarias brasileiras. E não existe uma situação única para os estoques de atum, e dados sólidos da FAO e da ISSF mostram absoluto predominio de estoques em situação sustentável, com poucos que exigem maior atenção.


STATUS DA PESCA MUNDIAL DE ATUM | ISSF 2026 | O relatório ISSF 2026-01 apresenta o status e a gestão de 23 principais estoques comerciais de atum, com base nas avaliações científicas mais recentes e nas medidas de manejo das RFMOs.
STATUS DA PESCA MUNDIAL DE ATUM | ISSF 2026 | O relatório ISSF 2026-01 apresenta o status e a gestão de 23 principais estoques comerciais de atum, com base nas avaliações científicas mais recentes e nas medidas de manejo das RFMOs.

 

        A análise também separa ciência de posição ética. O debate sobre bem-estar dos peixes é legítimo, mas não é consequência de estudos de contaminação ou de estoques.

 

        Nada disso nega os desafios da cadeia do atum. Contaminantes, parasitos e captura incidental exigem monitoramento, fiscalização, rastreabilidade e gestão baseada em ciência, e boa parte disso já está em andamento. O que a análise pede é que o público receba informação com contexto: o que foi estudado, onde, quando e com que alcance.

 

        Texto baseado na "Análise técnica do uso de referências na publicação '5 razões para não comer atum'", de autoria do Prof. Dr. Humberto Gomes Hazin (DCA/UFERSA), publicada com autorização do autor.

 
 
 

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